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Inteligência no jardim

 
 
José Giacoia
Paisagista







IRRIGAÇÃO DE BAIXO VOLUME PARA PEQUENOS ESPAÇOS, VASOS E PAREDES VIVAS


Iniciaremos o ano com um novo tópico que é também um setor da irrigação para paisagismo que está crescendo nos últimos três anos no Brasil. Ainda não conhecido por muitas empresas de irrigação, paisagistas e consumidores. Como o próprio nome diz, se trata de uma irrigação em que os emissores possuem baixa vazão de aplicação de água e onde também trabalhamos com pressões mais baixas.
 
Uma das características deste sistema é a forma de aplicação de água que pode ser variada, porém sempre preocupando com a necessidade individual de cada espécie de planta.

 

A Figura apresentada nesta matéria mostra um jardim típico para o emprego deste tipo de sistema.

Existe uma tendência a chamar este segmento da irrigação para jardins de “ irrigação localizada” porém não utilizamos esta nomenclatura para não se confundir com os emissores de baixo volume de agricultura, que apesar de serem semelhantes e alguns até idênticos, não possuem as mesmas características estéticas além de não terem a mesma quantidade e variedade de modelos.

Existe uma tecnologia de confecção e implantação de projetos paisagísticos chamada de “Xeriscape”. Esta tecnologia consiste em elaborar o projeto com o conceito de Hidrozonas. Hidrozonas são partes do projeto de paisagismo que são projetadas aplicando plantas, que podem possuir diferentes características físicas, porém com necessidades de água semelhantes. Esta metodologia é muito comum em países de clima árido e semi-árido. Temos isto no Sul dos EUA, Espanha, Grécia e alguns países do Oriente Médio. Esta metodologia ajuda e muito a confecção do projeto de irrigação. Mas como a realidade, isto não ocorre em todos os projetos. Temos plantas com necessidade de água totalmente diferentes em uma mesma área. Para isto temos os emissores auto-compensantes.
 
Emissores auto-compansantes são aqueles que mantém a vazão de aplicação de água constante, ou seja, ele calibra a quantidade de água que sai dele bem como a pressão. Isto significa que podemos aplicar 4 litros de água em um vaso e em um outro aplicar 12 litros tudo isto em um mesmo intervalo de tempo. Isto viabiliza a irrigação de vasos de diferentes tamanhos e com as mais diversas espécies através de um mesmo sistema de irrigação.

Portanto, quando falamos de irrigação de baixo volume, estamos direcionando a irrigação de pequenos espaços como jardineiras, casas de vegetação, orquidários, jardins de inverno, jardins de edifício e etc. Estes projetos podem abordar áreas maiores em situações específicas.

Quando mencionamos estes sistemas estamos falando de sofisticação, instalações rápidas e um custo menor quando comparado aos sistemas tradicionais.

As empresas que já estão empregando esta metodologia de irrigação estão, com certeza, a frente das demais.

Agora iremos apresentar os dois mais simpáticos e populares emissores de baixo volume: Os Borbulhadores e os Microsprays.

São muitas vezes preferidos aos gotejadores devido ao fato de oferecer visualização da água sendo aplicada e  permitirem que grande parte da instalação seja enterrada, proporcionando uma instalação discreta. São bonitos e agradáveis de ver em funcionamento.

Os Borbulhadores são emissores extremamente versáteis e que permitem um grande número de aplicações e de instalações. Eles podem ser pontuais e/ou abrangentes. Possuem aplicação principal em jardins pequenos, vasos, jardineiras. Podem irrigar plantas isoladas ou maciços de plantas. Temos dois modelos básicos:

 

Borbulhador de respingo
: Geralmente disponíveis em modelos de 1800 e de 3600. Lançam a água em forma de pequenos jatos com gotas de maior diâmetro que os sprays. Ideal para uso em jardineiras suspensas, vasos e pequenos jardins. Possuem raio e vazões reguláveis. O raio de alcance pode ser ajustado de 0 a 80 cm e a vazão de 0 a 49 lph (litros por hora). Esta regulagem é que permite sua aplicação nos jardins e vasos das mais variadas formas e dimensões. Eles possuem a vantagem de formarem vários bulbos disponibilizando água para as raízes das plantas.

 
Borbulhador do tipo “Sombrinha”: Este emissor realmente é o que mais faz jus ao nome, pois dependendo da regulagem, assume a forma de bolha.  Pode também ser utilizado em jardineiras com o objetivo de irrigar várias plantas, mas a sua aplicação ideal é na irrigação de pequenos arbustos, árvores e plantas isoladas. Seu raio máximo de alcance é menor e sua vazão pontual é maior. Possuem raio de alcance de 0 a 0,60 m e vazão variando de 0 a 132,5 lph. Portanto é recomendando para plantas que necessitam de alta taxa de aplicação de água e irrigação em pequenos espaços de tempo como jabuticabeiras.

Os Microsprays são também possuem possibilidade de ajustes de raios e também são versáteis e possuem as mais diversas aplicações.  Podem ser utilizados em pequenos jardins, casas de vegetação, pequenos gramados, pomares e plantios densos. São viáveis em jardins de dimensões maiores de onde são aplicados os borbulhadores, uma vez que possuem maiores raio de alcance (até 4 m) e podem ser instalados com maiores espaçamentos entre emissores. Temos três modelos básicos:

 
Microsprays de jato cheio: Possuem a emissão de água como se fossem aspersores sprays, porém com vazão baixa e diâmetro de gotas pequeno. Temos três ângulos de atuação: 900, 1800 e 3600. Em altas pressões podem emitir uma névoa e sua aplicação passa a ser para irrigação de casas de vegetação e estufas. O modelo de 3600 é o mais versátil de todos e pode até se transformar em um borbulhador através de sua regulagem. Possuem raio de alcance variando de 0 a 4,1 metros e vazão variando de 0 a 117 lph.

 

Microspray raiado: Possuem emissão de água em forma de jatos direcionados: Ideal para floreiras e também para maciços de plantas. Possuem raio de alcance até 4 m e vazão de 117 lph.

São os emissores que possuem melhor desempenho para aplicação em frutíferas e pomares não gramados. A título de curiosidade são também utilizados para resfriamento de telhados.

Microspray nebulizador: Este possui aplicação específica e funciona somente para nebulização. Emite água em forma de um cone de névoa de no máximo 1,2 m de diâmetro. São ideais para casas de vegetação e estufas.

 
Gotejadores:
O primeiro emissor de baixo volume inventado foi o gotejador. Ele foi concebido em Israel e sua primeira aplicação foi, obviamente, para irrigação agrícola. Os gotejadores foram inventados no início dos anos 60.

Como o próprio nome diz, trata-se de um emissor que emite gotas para realizar a irrigação. Sua instalação é realizada de forma a aplicar água diretamente na zona radicular das plantas. No nosso caso aplicamos água diretamente em uma planta podendo ela estar fazendo parte de um jardim ou isolada em um vaso.

Como em irrigação para jardins procuramos sempre a discrição nas instalações temos diversas formas de instalar estes emissores. Antes, vamos apresentar os modelos existentes de gotejadores:

Gotejador unitário ou botão: Estes produtos são comercializados separadamente ou vendidos já inseridos nas tubulações. É o modelo de gotejador mais indicado para irrigação de vasos e/ou plantas isoladas (arbustos e árvores),  dentro de um projeto de paisagismo.  São comercializados em vários modelos e fabricantes e possuem vazão específica de trabalho. Por exemplo: Temos modelos de vazão de 2 litros por hora (lph), 4 lph, 8 lph, etc.

Estes emissores quando vendidos separadamente são inseridos diretamente na tubulação de polietileno que conduz a água ou levado até os locais de rega através de micro tubos.

 

Tubo Gotejador
: Tubo de polietileno gotejador no qual o gotejador está inserido no interior do tubo através de uma tecnologia própria. Ou seja, no processo de fabricação já se instala o gotejador na tubulação, podendo ser no interior do tubo ou já fazendo parte da própria parede da tubulação como no caso das fitas. Este tipo de emissor é mais utilizado para irrigação de maciços de pequenos arbusto e forrações vegetais. Um exemplo típico é a irrigação de cercas vivas. Neste caso são fabricados em diversos espaçamentos entre emissores e vazões diferenciadas. Para paisagismo são mais recomendados os de espaçamento de 30 e 20 cm entre emissores. A vazão por emissor pode variar de 1 a 4 lph. O motivo do pequeno espaçamento está relacionado à densidade de plantio que encontramos em paisagismo o que nos leva a necessitar de menores espaçamentos e também de menores tempos de irrigação.

Dentro destes dois modelos temos também duas variedades básicas:

Gotejadores Autocompensantes: gotejadores que dentro de uma faixa de pressão fornecem a mesma vazão.

Gotejadores Regulares: gotejadores que com a variação de pressão há uma variação na vazão.

Geralmente utilizamos gotejadores autocompensantes em locais onde temos vazões diferentes (necessidades de água diferente por planta) em um mesmo setor. Exemplo: Irrigação de vasos diferentes ao mesmo tempo.
No caso de jardineiras e/ou pequenos maciços podemos utilizar gotejadores regulares que funcionam com pressões menores que é uma situação comum encontrada em pequenos jardins.

O gotejador é uma excelente solução para a irrigação de pequenos espaços, maciços de plantas, plantas isoladas e vasos. Podemos viabilizar irrigação em áreas onde jamais poderíamos imaginar antes. Exemplo: Irrigação em vasos em um poste.

 




José Giacoia Neto
Gerente Geral
Gerente Brasil Golf
Rain Bird Brasil Ltda.
http://www.rainbird.com.br/
Rua Piauí 740
Bairro Marta Helena
Uberlândia - MG
Brasil
CEP: 38.402-020
34-3212-8484
jgiacoia@rainbird.com.br

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