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(em ordem: Edifício Prudência, arq. Rino Levi, Edifício Lausanne, arq. Franz Heep, Edifício Louveira, arq. Vilanova Artigas)
Reforma em apartamentos antigos
As construturas e grandes imobilárias, hoje, não vendem só apartamentos: vendem um modelo de morar, quase um estilo de vida. O modelo de duas ou mais (frequentemente mais) torres em um mesmo terreno possibilita que se tenha quase um centro de entretenimento sem ter que pisar na rua: piscinas, salas de ginástica, churrasqueira, sala de cinema, kitchen gourmet, espaço kids... e uma infinidade de outras facilidades. A divisão de uma área comum a vários apartamentos permite ter todos esses serviços a um custo relativamente baixo de condomínio. E é uma ótima opção, para quem se identifica com esse estilo de vida.
Acontece que muitas pessoas acabam morando em conjuntos, apenas por falta de reflexão acerca de suas próprias necessidades. Quem não faz questão de um clube na porta de casa, gosta de sair nos fins de semana, e não quer enfrentar intermináveis assembléias de condomínio, tem outras opções de morar e em lugares até maiores: os apartamentos antigos. A reforma assusta muitas vezes, não se tem acesso a tantas facilidades, mas existem fatores que compensam a escolha.
Os apartamentos antigos são empreendimentos já consolidados, ou seja, o custo inicial de construção já foi diluído ao longo dos anos, o que faz o custo do metro quadrado ficar menor. Os materiais usados também são, normalmente de melhor qualidade e solidez: todo mundo conhece um apartamento da década de 50 ou 60 que está com o piso de taco impecável, precisando apenas de sinteco – são apartamentos de uma época em que a moda não ditava mudanças a cada momento e as coisas eram feitas para durar.
O espaço interno é o mais importante diferencial de quem compra apartamentos mais velhos: os cômodos são maiores, as janelas também (o que possibilita maior ventilação) e o pé direito (distância do piso ao teto) também, esse último sendo um fator fundamental para um apartamento mais amplo e mais fresco. Dessa forma, as possibilidades reais de personalização são maiores: em cômodos maiores, pode-se dispor os móveis da forma mais conveniente. Quem já não se deparou (em apartamentos novos) com a dificuldade de mudar a posição da cama porque ela só cabe em um sentido? Apesar de teoricamente personalizáveis, os apartamentos novos permitem poucas mudanças, justamente pelo fato de que os espaços são o mínimo necessário.
(comparação do espaço interno de dois apartamentos: um novo de quatro quartos e um antigo, originalmente de dois quartos onde foi feita uma reforma para transformar em um quarto)
Ambientalmente, também, temos questões a pensar. Os apartamentos antigos eram projetados pensando na melhor insolação e ventilação (uma fachada para o leste recebe insolação muito mais saudável que uma fachada oeste). Nos conjuntos novos, não se consegue a melhor insolação por um motivo muito simples: são muitos apartamentos por andar e, em um prédio com 4 apartamentos por andar, pelo menos um deles vai ficar com insolação prejudicada. Além do mais, ao ocupar um edifício já construído, estamos reforçando a atitude de reutilizar, gerando menos resíduo e reduzindo o impacto ambiental.
Temos bons motivos para olhar com olhos melhores para os apartamentos mais antigos mesmo que, à primeira vista, eles não sejam tão sedutores ou interessantes. Os principais problemas são as vagas de garagem mais apertadas e a reforma. Normalmente é necessário trocar a parte elétrica e hidráulica dos apartamentos, além de fazer adaptações para ar condicionado. Nada que um bom arquiteto e uma boa equipe de engenharia não resolvam. Em poucos meses, pode-se ter um apartamento amplo, fresco, totalmente renovado, em um prédio onde os moradores e os funcionários sabem seu nome, as reuniões de condomínio viram encontros interessantes e cada parte do lugar de morar passa a ter singularidade e estória.
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Renata Malachias
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renatamt@gmail.com
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