THIAGO BORGES
Da Redação
Imóveis mal desenhados, sem nenhuma área de lazer e prédios que não contavam nem com elevadores não fazem mais parte da realidade da classe C. A nova vedete do mercado imobiliário conta agora com a oferta de apartamentos bem projetados e em condomínio fechado, com playground, churrasqueira, piscina, salão de festas e garagem.
Maioria no País, essa parcela da população acompanha as notícias sobre o boom imobiliário e se anima em adquirir a primeira casa (em alguns casos) ou então uma nova residência, com mais atributos. É o que mostra o levantamento Target Group Index/Ibope, realizado recentemente, que aponta que 11% dos brasileiros pretendem comprar um imóvel nos próximos 12 meses. Desse total, 47% pertencem à classe C.
Os bons ventos da economia – como estabilidade da moeda, taxas de juros menores, controle da inflação, aumento de renda e mais vagas de trabalho - contribuíram para fortalecer esse objetivo. “Tudo isso criou condições para que o mercado pudesse partir para esse público”, explica Fabio Pina, assessor econômico da Federação do Comério de São Paulo (Fecomercio-SP).
A Fecomercio-SP realizou uma pesquisa que revela o amplo espaço de expansão nesse segmento. Na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, a classe C é composta por 43% do total das famílias, mas responde por apenas 8% do valor de vendas no mercado imobiliário.
Além dessa brecha, o Brasil contabiliza um déficit de oito milhões de moradias – o que gera uma demanda a ser atendida. O aumento natural das famílias também é outro fator que garante a expansão. Com o mercado imobiliário aquecido e situação favorável, o Sindicato da Construção de São Paulo (Sinduscon-SP) já prevê alta de 10,2% no número de lançamentos em 2008.
De olho na elevação de seus dividendos, as companhias do setor passaram a investir no segmento popular. “Antes, trabalhava-se com famílias com renda de pelo menos dez salários mínimos. Hoje, trabalha-se com famílias com renda média de cinco salários”, observa Pina.
Com renda familiar entre três e dez salários mínimos, o novo “xodó” do mercado almeja imóveis com tamanho médio de 50 metros quadrados e valor entre R$ 40 mil e R$ 135 mil – financiados em até 360 meses, com prestações que variam de R$ 300 a R$ 1.200 por mês. Geralmente, os imóveis têm de dois a três dormitórios e estão localizados em áreas mais periféricas da cidade ou então em municípios vizinhos.
A construtora Tenda, que foi fundada em 1969 e é voltada exclusivamente para o segmento popular, sente os efeitos do aumento da demanda. Nos três primeiros meses de 2008, a companhia obteve lucro de R$ 21,4 milhões – crescimento de 1.263% sobre o mesmo período de 2007. Entre janeiro e março, 8,4 mil unidades foram lançadas e 4,1 mil vendidas.
Os resultados fizeram a companhia elevar suas projeções. Para 2008, o número estimado de unidades lançadas é de 30 mil. A Tenda espera vender 22 mil dessas unidades, com preço que varia de R$ 60 mil a R$ 120 mil.