WebCasas - Aqui você encontra
 

Mercado discute tendências do setor imobiliário


 
 

FERNANDO IMPÉRIO
Da Redação

As perspectivas para 2008 eram as melhores possíveis. Depois de sobreviver em completo marasmo durante quase duas décadas, o setor imobiliário deu sinais de renascimento. O governo brasileiro fez os ajustes necessários para tornar a economia propícia para receber investimentos. As construtoras aproveitaram o cenário positivo para capitalizar recursos na bolsa de valores e saírem às compras de terrenos para garantir o melhor local para seus lançamentos.

Mas no fim de 2007, uma crise na liquidez de crédito subprime imobiliário nos Estados Unidos reverteu o clima de tranqüilidade. O IGPA, índice que mede a inflação também começava a preocupar o mercado. Apesar disso, a economia passou intacta no primeiro semestre. O financiamento de carros e imóveis continuava a bater recordes no Brasil.

 
Amaryllis: “Expansão deve continuar, mas a taxas menores”
Mas o período de bonança estava com os dias marcados. “O anúncio da quebra da Lehman Brothers e a intervenção na AIG detonaram uma crise de confiança”, explica a economista Amaryllis Romano, da Tendências Consultoria Integrada. E assim, como num movimento de manada, os investidores retiraram-se da Bovespa. O clima de pânico se instalou em todas as grandes bolsas de valores, com quedas homéricas e foi preciso uma série de intervenções do Estado para amenizar a situação de crise instalada no mundo todo.

O mercado imobiliário nacional que vinha apresentando crescimento muito acima do PIB foi pego de surpresa. A restrição ao crédito foi a primeira medida tomada no Brasil para frear a inflação e evitar que os mesmos problemas que atingiram os EUA afetassem o país.

Mesmo em situação muito melhor que a dos americanos, o Brasil sentiu os efeitos da recessão mundial. O dólar subiu com a debandada de investidores estrangeiros e a desvalorização das ações de construtoras de capital aberto foi uma das maiores do mundo. Toda essa seqüência de fatos ruins deixou o mercado sob estado de alerta.

Se nos EUA, o setor imobiliário é o responsável pelo estopim da crise, no Brasil esta mesma afirmação seria leviana. Mesmo assim, o momento é de cautela. Por isso, diretores e executivos do mercado imobiliário resolveram se unir para enfrentar o momento adverso dos Estados Unidos para aprender com os erros e evitar que os problemas de lá, ocorram também por aqui.

 
Auditório esteve repleto para discutir a crise do mercado
O evento realizado pelo CTE – Centro de Tecnologia de Edificações, consultoria especializada no setor da construção, ocorrido no dia 03 de novembro, reuniu especialistas do mercado financeiro, imobiliário e de marketing. Eles apresentaram dados e discutiram o setor sob a ótica da crise. E os números, de fato, apontam uma desaceleração do crescimento. Segundo o INCC – Índice Nacional de Construção Civil, a produção de insumos deverá fechar este ano em 8% e queda de 4,2% em 2009, segundo projeções da consultoria Tendências. Portanto, o desempenho no consumo de materiais de construção deverá ficar ao mesmo nível de 2006, quando a variação ficou em 4,5%.

Luiz Rogelio Rodrigues Tolosa palestrou sobre as perspectivas das empresas de capital aberto no mercado imobiliário. Ele contou sobre a fusão entre a Company (São Paulo) e a Brascan (Rio de Janeiro) para fazer frente ao cenário de aquisições no período de abertura de capital. Ele explicou a importância do acesso ao capital como forma de profissionalização do mercado. “È um circulo virtuoso, pois o acesso ao capital favorece o crescimento, que por sua vez, exige uma maior profissionalização dos processos, causando mais participação do market-share do mercado”, informa Tolosa.

Ele aponta ainda a necessidade de atender os 90% do déficit habitacional (até 3 salários-mínimos) que é o principal nicho a ser explorado pelo setor imobiliário, porém pondera que o mercado vai precisar da ajuda do governo para implantar planos de habitação para o segmento popular, além de criar políticas de financiamento facilitado.

Para enfrentar as turbulências do mercado financeiro, as empresas – principalmente as de capital aberto – precisam adotar medidas de governança corporativa com inteligência de risco. Este foi o recado de Ronaldo Fragoso, da Deloitte Brasil. “O maior objetivo de gerenciamento de risco é transformar a visão de riscos em vantagem corporativa”, afirma Fragoso. “Crise pode representar oportunidades”, complementa.

A Funcef também participou da discussão na presença do diretor Jorge Luiz Arraes em que apontou inúmeras razões para apostar numa melhora ainda maior para o mercado imobiliário, citando, por exemplo, a condição do crédito do Brasil, muito tranqüilo se comparado ao norte-americano. “O Brasil vai sair da crise, melhor do que entrou”, afirmou Arraes.

 
No debate, platéia pode participar com pergunta aos palestrantes
Depois do debate com dúvidas e sugestões da platéia, um novo painel foi aberto para discutir os rumos do marketing e como a ferramenta pode ser potencializada nas equipes de vendas.

Para o Diretor do CTE, Roberto de Souza, (foto-capa) o mercado atendeu bem ao chamado do evento. “Os players estão preocupados com a crise e por isso decidiram discutir junto medidas para solucionar o problema do crédito imobiliário. A percepção que fica que apesar do momento ruim, todos estão confiantes na retomada do crescimento”, comenta.

As conclusões finais do evento, de fato, revelam a preocupação com o futuro da economia que inside diretamente sobre o crédito imobiliário. Tornar o cenário transparente e confiante é requisito primário para voltar a atrair a confiança dos investidores. O critério rigoroso para a concessão da carta de crédito e o suporte jurídico criado em 2005, como a regularização da alienação fiduciária tem apoio do setor, já que garante a tranqüilidade contra a inadimplência. As condições de financiamento, entretanto, precisam vir sob juros mais baixos e com número de parcelas maiores.

Veja mais matérias especiais
Especial com Fabio Barbosa
Especial - A mulher contemporânea no mercado imobiliário
Obra financiada pelo Santander
O Rio de Janeiro ainda mais lindo
Negócios em alta no mercado imobiliário
Ver todas as matérias especiais
 
   
Dicas de Segurança