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Moradia verde


 
 
BRUNO CHAGAS
Da redação

Após o chamado “boom” imobiliário visto aqui no Brasil nos últimos anos, com cada vez mais investimento, melhores condições de crédito e oferta crescente, o mercado deu uma desacelerada. A crise de crédito estadunidense trouxe apreensão à economia internacional e o ritmo frenético presente sobre tudo no mercado imobiliário deu lugar à cautela. No entanto, o país oferece hoje condições e opções para a compra de residências muito superior do que havia, por exemplo, nos anos 1990. As empresas exploram novos nichos no mercado de moradia visando a atender perfis específicos de clientes, entre eles, solteiros e estudantes, casais sem filhos e homossexuais. Mas algo se torna cada vez mais presentes nas novas construções, independente do público para o qual é direcionado: os recursos sustentáveis que ofereçam economia, qualidade e vida e que tornem ações do cotidiano ecologicamente corretas. Mais do que um luxo, empreendimentos com características ecológicas são uma tendência cada vez mais presente, bem como um apelo importante na hora da compra.

Newton Figueiredo, Presidente do Grupo SustentaX, empresa que atua no desenvolvimento de estratégias corporativas sustentáveis e outras aplicações do conceito ecológico, defende a idéia de que empreendimentos verdes se firmam como um novo padrão para as construções, inclusive segundo a preferência dos compradores. “Ninguém vai querer morar em um lugar que ofereça uma menos qualidade de vida, ou mesmo um valor inferior em caso de revenda”, diz. Figueiredo salienta que a presença da sustentabilidade ainda é pequena, mas abrange várias frentes e está despontado em segmentos variados, tanto na moradia como em edifícios empresariais, de comércio ou de produção e prestação de serviços. “A presença dos empreendimentos que seguem esta linha cresce a uma taxa por volta de 50% ao ano”, aponta.

“A construção civil começa a demonstrar que está se adequando cada vez mais aos conceitos de sustentabilidade que estão sendo impostos em todos os setores da economia e que a cada dia passam a ser uma exigência da sociedade”, analisa Marcos Casado, gerente técnico da divisão nacional da organização norte-americana Green Building Council. Assim como o presidente da SustentaX, Casado acredita na evolução da sustentabilidade em diversas frentes, desenvolvendo “expertise nessa área”. “A construção sustentável veio para ficar. Talvez um pouco tarde, mas com o engajamento de toda a sociedade, revendo nossas ações e atitudes, certamente alavancará a formação de uma nova cultura”, completa.

Para definir melhor as características de que qual empreendimento pode ser rotulado com termo “green building” (edifício verde), alguns parâmetros foram criados, assim como certificações. O selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), cedido pela Green Building Council, atualmente é um dos que possuem maior credibilidade. “O LEED pontua as soluções sustentáveis de uma construção e avalia seu desempenho em variáveis como: espaço sustentável, eficiência no uso de água e de energia, uso de materiais e recursos, qualidade ambiental interna, e inovação e processos”, explica Casado. No Brasil, existem 79 empreendimentos que buscam a certificação LEED, enquanto apenas quatro já obtiveram o selo, sendo eles respectivamente uma agência do Banco Real em Cotia (SP), uma unidade do Delboni Auriemo (empresa de medicina diagnóstica) no bairro de Santana (SP), o escritório do banco Morgan Stanley na avenida Faria Lima, em São Paulo, e um empreendimento da Bracor no RJ.

Prédios sustentáveis têm um custo maior que os “convencionais” para construção. Nos Estados Unidos, construir empreendimentos sustentáveis tem um custo adicional entre 1 a 7%. Já no Brasil, esse aumento é de 5 a 10% para prédios comerciais e de 2 a 4% para edifícios residenciais. No entanto, este preço superior acaba sendo compensado na velocidade de venda das unidades, um quesito importante para as empresas que investem neste padrão de construção, e um preço final em média 7,5% mais valorizado.

Os usuários finais de edifícios sustentáveis saem ganhando com a redução de custos no imóvel. Segundo Marcos Casado os benefícios são um consumo de energia: em média 30% menor, economia de 30 a 50% com água, 35% menos emissão de CO2 e também uma geração de resíduos reduzida de 50 a 90%, levando em conta o uso de materiais recicláveis e administração de um plano de gerenciamento de resíduos.

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