Bruno Chagas
Da redação
O mercado imobiliário está passando por adaptações e enxergando novas possibilidades. Parte disso se deve ao programa “Minha Casa, Minha Vida”, lançado pelo governo federal, que foi um dos temas centrais discutidos no Secovi (Sindicato da Habitação) de São Paulo na terceira edição do Seminário “Tendência do Mercado Imobiliário”, que contou com palestrantes da própria organização, além de representantes de bancos e de incorporadoras.
As palestras ministradas tiveram o intuito de situar os representantes na atual situação econômica do país, e como as novas iniciativas governamentais podem acenar perspectivas positivas ao mercado imobiliário, que sofreu retração no final do ano passado pela crise mundial. Foi delimitado também qual é o perfil do público de imóveis econômicos e como o modo de abordagem é diferente do usado com compradores de unidades de luxo, onde a maioria das empresas mantém o foco principal.
O “Minha Casa, Minha Vida” tende a reforçar o investimento de empresas no já visado e crescente segmento econômico, que em São Paulo corresponde a empreendimentos de valores entre R$ 1.900/m² a R$ 2.700/m², que recebe o incentivo com aumento da renda no país e iniciativas federais que prometem uma burocracia menor e um acesso mais amplo ao crédito e recursos do Fundo de Garantia. Segundo Antônio Guedes, diretor geral de novo negócios da Cyrela, o “pacote permite que mais famílias tenham acesso a compra de imóveis. Aquele cliente que para comprar um imóvel de R$ 80.000 precisava ganhar em torno de R$ 1.8000 a R$ 2.000, hoje com uma renda de R$ 1.400 já consegue adquirir esta moradia”.
Guedes explica que o aumento do número de novos compradores torna o mercado econômico atraente e lucrativo para novas empresas, pois a facilidade de acesso torna o produto (moradia) “mais líquido”. De acordo com os palestrantes, o programa do governo “veio para ficar”, pois se trata de algo de extremo apelo popular e que deve perdurar nos próximos governos. “Como empresas, bancos, e como parte da sociedade brasileira, nó temos a oportunidade de (...) em um período de 15 a 20 anos tratar o problema do déficit habitacional”, afirmou João Crestana, presidente do Secovi.