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São Paulo 456 anos

 
FERNANDO IMPÉRIO
DA REDAÇÃO

 
Quem chega a São Paulo por ar ou por terra impressiona-se com o emaranhado de prédios de todas as formas e tamanhos. A cidade cresceu rápido, atraindo pessoas de todas as partes do mundo que vieram em busca de riqueza e prosperidade.

O antropólogo recém-falecido Claude Lévi-Strauss uma vez escreveu sobre São Paulo: "desenvolve a tal velocidade que é impossível obter seu mapa: cada semana demandaria uma nova edição". É sob este espectro que São Paulo acostumou-se a ser identificada e será assim por um bom tempo.

De acordo com o Secovi-SP (Sindicato da Habitação), nos últimos quatro anos a cidade registrou o lançamento de 110 mil unidades imobiliárias – vale lembrar que neste período houve uma grave crise econômica mundial, com reflexos em todos os setores da economia, e, além disso,  reformulação da Lei de Zoneamento de São Paulo, que levou à diminuição da área legal disponível para construção, o que contribuiu para a elevação do preço do m².

Ainda assim é muito comum observar pela cidade novos prédios sendo construídos e anúncios em várias regiões de lançamentos imobiliários. Apesar dos inúmeros problemas, São Paulo continua atraindo investimentos, o que acaba trazendo também mais pessoas. É por isso que o mercado imobiliário continua a todo vapor. Em outubro de 2007, a cidade registrou a incrível marca de 2 lançamentos de empreendimentos imobiliários por dia.

Com isso, bairros que antes não eram considerados bons para se morar, seja pela distância do centro ou pela falta de estrutura, hoje atraem o mercado imobiliário, mudando a paisagem que antes, predominantemente, era composta por casas.

Atualmente, os bairros mais promissores e que vem atraindo cada vez mais moradores em São Paulo ficam na Zona Oeste (Perdizes, Pompéia, Lapa, Vila Leopoldina, Butantã) e Zona Leste (Anália Franco, Tatuapé, Vila Aricanduva, Vila Prudente, Sacomã, Vila Guilherme). São regiões que ainda possuem terrenos disponíveis ou desapropriados de antigas indústrias, despertando a atenção das incorporadoras.

O bairro do Jaguaré, na Zona Oeste, é o melhor exemplo desta realidade: nos últimos dez anos - o preço do metro quadrado dos empreendimentos residenciais do bairro valorizou 63%, saltando de R$ 1.006,00 para R$ 1.640,00 – maior crescimento em toda São Paulo. Em segundo lugar neste ranking aparece o Tremembé, na Zona Norte, com valorização de 60% (de R$ 1.196,00 para R$ 1.911,00 por m²), seguido pela Vila Formosa, na zona leste, que valorizou 53% (de R$ 1.035,00 para R$ 1.587,00 por m²).
 
Bairros já consolidados e com fama de possuírem prédios luxuosos se mantiveram com preços do m² elevados. É o caso de Jardins, Higienópolis, Moema, Alto de Pinheiros, Vila Nova Conceição e Vila Mariana. São regiões com o m² mais caro do Brasil, ao lado de Ipanema e Leblon, no Rio de Janeiro.

 
Este “boom” imobiliário dos bairros da Zona Oeste e Leste, no entanto, também traz impactos negativos, como, por exemplo, o trânsito. As ruas destes bairros não foram projetadas para atender esta crescente demanda. Com isso, buscar alternativas capazes de evitar o colapso viário destas regiões é uma questão que não pode mais ser ignorada ou negligenciada pelas autoridades paulistanas, pois disso depende a continuidade deste processo de ascensão.
 
Mais uma vez São Paulo dá mostras de que é capaz de se reinventar e seguir adiante com seu crescimento e desenvolvimento, comprovando através de seus inúmeros atrativos (como parques, clubes, museus, cinemas, teatros, universidades, oportunidades de trabalho, variada gastronomia, etc) e de fenômenos como este das Zonas Oeste e Leste, que realmente é um bom lugar para se morar.
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