FERNANDO IMPÉRIO
Da Redação
Há um ditado que diz: “quem casa, quer casa”; um outro fenômeno, ainda mais abrangente que o casamento, bem que merecia ditado semelhante: “quem tem carro, quer garagem”. A facilidade de comprar um carro levou muita gente a abandonar o transporte coletivo e optar pela comodidade do veículo próprio. O problema é que hoje uma família de classe média, de modo geral, tem mais de um carro, o que gera disputa pelas vagas de garagem nos condomínios.
De olho nesta realidade, o mercado imobiliário vem aumentando o número de vagas de garagem em seus empreendimentos. De acordo com o último levantamento da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), realizado em 2006 – portanto antes do boom imobiliário – a média de garagens era de 1,94 por imóvel. Levando-se em consideração somente os apartamentos de quatro dormitórios, chegávamos a um número médio ainda maior, de 2,87 vagas por unidade lançada.
Em 2010, a média geral certamente passou das duas vagas por unidade. Só como exemplo, a cidade de São Paulo possui frota de 5,95 milhões de veículos, o que corresponde a marca de um veículo para cada 1,8 morador, segundo o IBGE. Diante de tanto carro, as construtoras não tiveram outra saída senão aumentar a quantidade de vagas de garagem.
Em Belo Horizonte, o lançamento do Edifício Green Garden Residence Park em janeiro de 2009, no bairro de Nova Lima chamou a atenção pela grandiosidade. O empreendimento oferece apartamentos com até 580m² de área útil e 10 vagas de garagem. A Conartes, incorporadora da obra, revela que 80% do empreendimento já está vendido. “O ‘Green Garden’ é o empreendimento com a maior quantidade de vagas de garagem da Grande Belo Horizonte”, ressalta o diretor de marketing da Conartes, Thiago Xavier Gonçalves.
A vasta oferta de vagas é justificada pelo público que a incorporadora atende. “Geralmente são famílias grandes com 3 a 4 filhos, com alto poder aquisitivo, onde cada um tem o seu próprio carro”, comenta Thiago. “Alguns desfrutam de um carro só para o trabalho e um outro só para o lazer”, complementa. Além disso, geralmente essas vagas são preenchidas ainda por motos, carriolas de suporte para jet ski e bicicletas.
Para acompanhar toda a estrutura de vagas de garagem, o Edifício Green Garden Residence Park disponibiliza ainda box para lavagem de veículos e dependência completa para motoristas, com sala, copa e banheiro.
Como reflexo deste aumento de vagas nos empreendimentos imobiliários, o Car Wash, que antes era comum apenas aos postos de combustíveis, vem também ganhando adesão em condomínios. Em São Paulo, um lançamento da Even Incorporadora previsto para ser entregue em setembro deste ano já conta com o serviço de lavagem dos carros.
É o Vida Viva Parque Santana, na região norte da capital paulista. O empreendimento será um dos que vão contar com a novidade. Para o Gerente de Incorporações da Even, Ricardo Grimone, a ideia de levar o Car Wash está ligada à imagem de que todo brasileiro é apaixonado por carro. “Muita gente gosta de lavar o próprio carro, tem mesmo aquele cuidado especial com o veículo”, conta Grimone. “O público-alvo desses tipos de serviços é notadamente masculino, jovem e em ascensão profissional”, completa.
Segundo Grimone, os últimos lançamentos imobiliários estão mesmo procurando oferecer cada vez mais itens de lazer e serviços diferenciados com foco a facilitar a vida dos moradores. “O Vida Viva é um tipo de empreendimento voltado para um público emergente que busca em geral imóveis entre 2 e 3 dormitórios, bem localizados e acessíveis. De preferência com ao menos duas vagas de garagem”, comenta.
Tanto Gonçalves, como Grimone concordam que hoje é impensável um lançamento imobiliário sem vagas de garagem. “Percebemos a dificuldade que é vender imóveis mais antigos em que não há nenhuma vaga de garagem”, reforça Thiago. O ideal é que a quantidade de vagas varie de acordo com a metragem do imóvel. Por exemplo, imóvel com tamanho a comportar um a dois quartos, duas vagas de garagem. De três para cima, o aconselhável é aumentar para quatro ou mais vagas. “Enquanto as cidades não oferecem transporte público de qualidade, as pessoas continuarão preferindo utilizar o carro e o mercado imobiliário terá que ofertar maior quantidade de garagens”, finaliza Grimone.