FERNANDO IMPÉRIO
Da Redação
Há cerca de um ano, ainda quando não se tinha ideia real do tamanho do impacto da crise financeira internacional no país, o governo agiu rápido em favor de medidas anticíclicas, isto é, ações que evitaram um agravamento da crise na economia interna. Dentre estas ações do governo, a redução do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) teve um impacto positivo na vida dos brasileiros, que passaram a encontrar vários produtos abaixo do valor de mercado praticado até então.
Entre os setores beneficiados, destacam-se o automobilístico, o de produtos eletrodomésticos e o de materiais de construção. Neste último, a redução do IPI, em vigor desde 31 de março de 2009, beneficia os principais itens do segmento, como cimento, tintas, argamassas, cerâmicas, revestimentos, vergalhões, fechaduras, dobradiças, chuveiros, grades de aço, pias, louças de banheiro, entre outros.
A medida ajudou em cheio quem vinha economizando dinheiro para fazer a reforma da casa ou então construir. “A economia para o consumidor é significativa. Na construção de uma casa de 50 metros quadrados, por exemplo, ela pode significar uma economia de aproximadamente mil e quinhentos reais ou a construção de um pequeno banheiro. Já no caso de reformas, por exemplo, o valor da economia pode representar o custo do pagamento da mão-de-obra”, informa o presidente da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), Cláudio Conz.
Não foi só o consumidor que sentiu a diferença nos preços. A construtora MRV, através de seu departamento de suprimentos, informa que a economia decorrente da redução do IPI ficou em torno de 1,50% do total do volume de compras de materiais de construção. Valor considerável, se levarmos em conta a quantidade comprada pela construtora, que atua em 15 estados.
Além da redução do IPI, algumas outras medidas facilitaram a compra de materiais de construção. A Anamaco integra o Grupo de Acompanhamento da Crise (GAC), criado pelo Governo Federal no início do ano passado para acompanhar os reflexos da crise econômica internacional nos setores da economia brasileira. Entre as conquistas obtidas estão:
• aprovação do uso do microcrédito (que varia de R$50,00 a R$ 5.000,00 e é direcionado, em geral, a público de baixa renda ou àqueles que, pelo seu ramo de negócios, usualmente não têm acesso às formas convencionais de crédito) para a compra de materiais de construção;
• a desburocratização das linhas de financiamentos de material de construção com recursos do FGTS.
O conjunto de medidas estimularam as compras e o setor fechou 2009 em alta de 4,2% em relação a 2008. Os dados refletem o volume de vendas das lojas. Para 2010, a expectativa é de crescimento de 10%. Cláudio Conz inumera vários motivos pela boa expectativa. “Tivemos uma percepção do mercado muito positiva, especialmente no último trimestre de 2009. O consumidor está mais confiante e com mais recursos”, comenta. “Vemos um aumento de renda efetivo da população. Além disso, em 2010, os números dos financiamentos habitacionais com recursos da poupança serão recordes, acima de R$ 40 bilhões, e portanto, bem superiores aos R$ 30 bilhões de financiamentos imobiliários efetuados em 2008 e 2009”, esclarece.
Abaixo, segue a lista de produtos com a redução do IPI, válido até 30 de junho de 2010: